Paulo das Areias

Tempo de leitura
2 minutos

Paulo das Areias

Março 07, 2015 - 19:29
Publicado em:

Aos 45 anos Paulo Pinto é dono de uma condição física invejável e de uma história de vida marcante. E corre na areia como peixe na água.

Paulo Pinto, também conhecido por Paulo das Areias

A história de Paulo Pinto dava um filme e quem não o conhece parece não dar muito crédito à imagem do atleta sorrridente, estilo “tá-se bem”, com que se apresenta nas provas de calções de praia, camisola flourescente e pala do boné virada para trás. Mas as aparências iludem porque de louco Paulo tem pouco, tirando os treinos de doidos que faz, com sessões a irem facilmente para além dos quarenta quilómetros, o hábito de, destemido, se lançar na frente das corridas e o facto de ser um...fumador! Bom, talvez Paulo seja um pouco louco, na verdade.

 

Anda a pensar afastar o maldito vício do fumeiro de nicotina, mas o cognome, esse já ninguém lho tira. Ficou conhecido pelo Paulo das Areias, depois de no ano passado, em Junho, ter vencido, de forma surpreendente, a Meia Maratona das Areias, com uma chegada à Praia da Aguda que jamais esquecerá: «Uma sensação que não dá para descrever» - recorda.

 

Um mês depois seguiu-se a conhecida Maratona Melides-Tróia e não fosse uma lesão, a cinco quilómetros da meta, quando seguia isolado na frente da prova e a esta hora estaríamos a lembrar a vitória de Paulo Pinto. Ficou em quarto lugar, mas deixou um recado à organização e a quem o quis ouvir: «Para o ano volto para ganhar» - prometeu.

«Dei uma enorme volta à minha vida e sinto orgulho nisso»

As razões do recomeço... aos 43 anos 

Praticou atletismo dos 12 aos 23 anos de idade em clubes de Espinho, de onde é natural. Conhecido na altura pela sua imagem irreverente, Paulo Pinto, agora com 45 anos de idade, andou por areias movediças – entenda-se caminhos conturbados - e emociona-se ao falar do assunto: «Dei uma enorme volta à minha vida e sinto orgulho nisso. Quem me viu e quem me vê até se custa a acreditar» - diz Paulo, que recorda como recomeçou a correr, faz agora dois anos: «Regressei da África do Sul onde estive emigrado durante um curto período de tempo, depois da morte, de cancro, da minha namorada na altura. Passei muito mal e a forma de encontrar o meu equilíbrio emocional foi correr, correr, correr...» - diz Paulo Pinto, que perdeu doze quilos em apenas dois meses. O treino passou a ser uma espécie de obsessão e para afastar a dor aguçou a determinação. Percebeu então que quem lhe dava areia dava-lhe tudo, até porque é na areia que se sente como peixe na água: «Nasci e cresci à beira-mar e sempre adorei correr na areia, não consigo explicar porquê, onde facilmente atingo médias de 3:30-3:35 ao quilómetro».

 

Num espaço de meses as vitórias em seis trails parecem confirmar os fortes andamentos que consegue impor e pasme-se, Paulo Pinto quando acaba uma prova sente um desejo enorme de... fumar! - «Isso não é coisa de que me orgulhe e a malta nem acredita no que vê, mas eu sou assim mesmo» - ao que a atual companheira aproveita para lembrar: «Em bem que o chateio, mas não há meio...» - e Paulo sorri na resposta da promessa adiada de “Um dia destes..”.

 

Gosta de desafios e a passagem pelas tropas paraquedistas parece ter ajudado a forjar o carácter determinado que se esconde no sorriso fácil: «Defino-me como uma pessa extremamente competitiva. Antes quebrar que torcer» - admite Paulo que corre com um objetivo claro: «Sentir-me bem e quando corro sinto-me feliz. Isso vê-se e não o escondo, porque sou uma pessoa simples e genuína» - defende-se Paulo, que gosta de correr sozinho, até porque «poucos são aqueles que aguentam os meus treinos mais longos».

 

E para se inspirar leva sempre consigo ou Pink Floyd. ou U2 e outros que tais, por estradas que não têm nome, até porque a vida, para o Paulo das Areias, é, essa sim, uma correria louca, como se não houvesse amanhã ou depois, nem longe nem distância.