Em Espinho e quando tudo corre bem

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Em Espinho e quando tudo corre bem

Janeiro 06, 2016 - 22:23

Prova revelou-se um sucesso numa noite de vitórias de André Aniceto e Carla Martinho e com muitas histórias por revelar

Foto: Focal Point

A cor dominante da corrida era o verde, mas a descida da Rua 19, já no último quilómetro, ganhava nova vida com a carpete vermelha que se estendia para a passagem dos atletas, muitos deles maravilhados com o jogo de luz da mais popular rua de Espinho que desagua na Alameda do imponente Casino, onde a verde meta os esperava, num ambiente a que até o estado do tempo ajudou. Nada de chuva dos últimos dias e do vento, que não se deu por ele, que até parecia mentira. Isto porque, horas antes, no auge da madrugada, a ventania obrigou a descer à pressa do hotel ao lado, para recolher as tendas que ameaçavam levantar voo a todo o instante. Domingo seguinte, segunda e terça e mais além o Inverno far-se-ia sentir intenso e agreste.

 

Mas o sábado estranhamente acordou calmo e sereno e horas antes da partida a Alameda 8, a do Casino, encheu-se para o jogo alto de risos e de cores, numa altura em que o Riscas, a mascote do Atletas.net, já estava ao "serviço" nas inúmeras fotos em que entrou a convite - sempre. Roman é o jovem moldavo, alto e tão tímido quanto a sua estatura, escondido no interior do fato`laranja à sua medida e já tem a lição estudada ao pormenor, que a sua tarefa é levada muito a sério. E na hora do jantar diverte-se a contar as peripécias, no seu português perfeito. Percebe-se que gosta do que faz e sobretudo dos sorrisos que provoca - a míúdos e graúdos (para além de ser uma forma original de conhecer raparigas giras).

 

E foi bom de ver o Hugo, equipado a rigor para a prova, de vassoura na mão, sorriso estampado, funcionário de uma outra empresa que não o Atletas.net, a tirar a areia da partida para que não houvessem acidentes, não fosse o Diabo tecê-las e a quase pedir desculpa por o estar a fazer, sabendo que fazia bem. 

 

- O senhor não se importava de retirar a sua esplanada para que a corrida passasse? - a pergunta mereceu uma resposta completamente diferente da do ano passado:
- Concerteza que sim. Pena é que não hajam mais corridas destas em Espinho todas as semanas - disse prontamente o proprietário do café, a pensar no ganho do seu negócio.

 

Carla emocionou-se ao ouvir o texto a si dedicado ao receber o Prémio António Leitão e mereceu um abraço apertado de Conceição Leitão, a irmã do mais conhecido atleta de Espinho. 

 

E alguém lembrou o amigo Paulo Pinto que estaria ali por certo, não fosse o azarado jogo do infortúnio da vida.

 

Vitor estava radiante. O seu ginásio estava em grande na prova e não perdia oportunidade para mostrar a sua marca e os seus atletas.

 

Já Maria do Céu ficou de lágrimas nos olhos por não ter ouvido a chamada ao pódio. Poxa... logo um terceiro lugar arrancado a ferros.

 

Fátima & Companhia ouviam elogios enquanto distribuiam as medalhas, ao mesmo tempo que brincavam com os atletas. Para elas, apesar do cansaço, era terapia e ponto final.

 

Os dois Josés suspiravam de alívio por tudo ter corrido bem e apressavam-se a correr para o café mais próximo, a colocar tudo na net e em tempo recorde. Sem falhas, como convém, que isto de lidar com tecnologias de cronometragem não é para todos.

 

No percurso uma azáfama invisível, com os funcionários da Câmara a fazerem figas para que tudo corresse pelo melhor, no alinhamento do plano imenso que arquitetaram. Ruas e mais ruas, de números e mais números, de um labirinto chamado Espinho que eles conheciam de cor e salteado e que foi preciso cortar e acautelar a montante e a jusante, antes que o caudal do trânsito se revoltasse. 

 

O gorro haveria de ser coisa nova e muito apreciada, que nos dias de frio seria bem-vindo, para as corridas e não só. Joana levou o seu a pensar no marido, que de corridas só se fosse para o estádio do Dragão em dias de jogo da Champions: «Olhe, corro eu e pronto» - e pôs o gorro na cabeça, enquanto perguntava, num sorriso fácil: "Fica-me bem?"

 

E era assim a São Silvestre de Espinho. em histórias de retalhos e muitas mais, que escreveu André Aniceto como o vencedor da segunda edição da prova. Em femininos Carla Martinho sorriu para mais um triunfo, a que juntou o Prémio António Leitão, cuja imagem se ligou e muito bem ao evento, no pórtico de partida e de meta, no palco dos prémios e nas medalhas. Um gesto que a irmã de António Leitão soube reconhecer. Conceição Leitão deu o tiro de partida, em uníssono com o presidente da Câmara a seu lado, não sem antes confessar-se para o diretor da prova, com as lágrimas nos olhos: «Esta é a melhor homenagem que o meu irmão poderia receber. O de ver a sua cidade correr». E assim foi. E se não foi a correr foi a ver correr, porque Espinho parou literalmente. Mas ao contrário da primeira edição não se ouviram as buzinadelas dos automobilistas impacientes. Nada disso.

 

Um ofício, assinado pela mão do presidente da Câmara, entrou nas caixas de correio de 3500 casas e dava conta do anúncio da corrida de São Silvestre. E a população e o comércio lá compreeenderam o quanto era bom para a cidade. Pinto Monteiro estava radiante com o resultado e tinha motivos para isso. Afinal as suas gentes sairam à rua para aplaudir e a dizer que sim.

 

E quando chegavam os resultados dos inquéritos aos participantes sabia-se, matematicamente e sem margem para dúvidas, que a prova tinha sido um sucesso com uma elevada taxa de satisfação, inegável, a repetir e a sempre melhorar: A 7 de janeiro de 2017. Pode parecer que ainda falta muito, mas o que é certo é que A Vida Passa a Correr.